Café com Negócios Edição 17ª
19 de setembro de 2017
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2 de outubro de 2017

Cléber Pires: longe do Buriti, mas não das polêmicas

A eleição do empresário João Dória para a prefeitura de São Paulo, no ano passado, alvoroçou muitos políticos de Brasília a entrar na disputa da cadeira de Rodrigo Rollemberg. A maioria deles, entretanto, não admite isso publicamente. E o único que falava abertamente que entraria na disputa, decidiu sair do jogo antes mesmo que começasse.

Cléber Pires, presidente da Associação Comercial do DF, que chegou a se insinuar para diversos partidos, admite  que não será mais candidato e que sequer se filiará a alguma legenda. Diz-se decepcionado com a política e com a “falta de comprometimento da maioria dos servidores públicos”.  Em entrevista  ao Extrapauta o líder empresarial diz que falta competência aos secretários de Rollemberg e defende a implantação urgente do sistema de estacionamento rotativo não só no Plano Piloto, mas nas áreas centrais de todas as cidades do DF.

Extrapauta – O senhor continua com o projeto de disputar o Palácio do Buriti?

Cléber Pires – Muito me orgulha ter sido lembrado para uma possível disputa de um cargo majoritário. Mas por uma decisão, pessoal , família e empresarial  , eu não serei candidato a nenhum cargo e nem me filiarei a nenhum partido.

Extrapauta – O que levou a essa mudança? O senhor dizia que iria ser candidato a governador e antes mesmo do início da disputa o senhor diz que não entrará na disputa.

Cléber Pires – O modelo da política brasileira deixa muitos e  muitos homens e mulheres de bem distantes. A disputa é desleal. Nós iríamos concorrer contra a  máquina, contra muitas e muitas pessoas que têm centenas, milhares de cargos públicos. As pessoas que estão aí na política, estão unicamente comprometidas com seus projetos pessoais. Nós precisamos de um Estado enxuto, comprometido com as pessoas e não com os próprios gestores. E com isso a gente percebe que a máquina não anda. Quando você faz qualquer crítica, entra num processo de isolamento.

Extrapauta – Quando o senhor fala desse isolamento, seria na verdade retaliação? E Isso tem a ver com o atual governo?

Cléber Pires – Eu diria que todos aqueles que se apoderam de um mandato, eles se intitulam dono da situação, dono da cidade. Tenho um diálogo muito aberto, muito franco, com o atual governador. E um posicionamento  de cobrança, cobrança com responsabilidade. E não é diferente. Aquele que ali está não quer abrir espaço. Então, este modelo não me agrada. É muito difícil a gente deixar os afazeres , compromissos pessoais, para entrar na vida pública.

Extrapauta – O senhor é representante de uma parcela do setor produtivo local. O próprio setor produtivo local não está conseguindo se unir em torno de um projeto único para a política de Brasília?

Cléber Pires – Por incrível que pareça, eu espaço que surja um nome que venha se colocar à disposição para disputar a eleição do ano que vem e que o setor produtivo venha abraçar. Mas nós temos uma dificuldade muito grande. O empreendedor não quer se meter na política. Nós não temos hoje nomes que se disponham a entrar numa disputa eleitoral.

Extrapauta – Por que?

Cléber Pires – Nós temos um estado engessado, um modelo que não agrada a nenhum empresário. O custo é muito maior que o benefício. Mas, mais do que nunca, o setor produtivo está muito unido, muito preocupado com as questões da cidade. E eu acredito que nenhum nome será eleitor governador no próximo ano sem passar pelo Conselho  de Desenvolvimento do DF, formado por 56 entidades patronais.

Extrapauta – O setor produtivo pode encabeçar uma chapa?

Cléber Pires – Pelo que eu vejo, todos aqueles que têm potencial, descartam esta possibilidade. Mas vamos procurar os candidatos para identificar aqueles que podem vir a seguir uma cartilha, um plano, elaborado pelo setor produtivo.

Extrapauta – A tendência do setor produtivo é procurar um nome novo para dar este apoio ou seria um desses nomes que já estão aí na praça?

Cléber Pires – O novo era a esperança de todos nós. Nós não temos hoje nenhum foco. Eu diria que hoje o jogo está zerado.  Até o passado é incerto.

Extrapauta – Qual a avaliação que o setor produtivo faz do governo Rollemberg?

Cléber Pires –  A gente vê com muita cautela. Nós não temos dúvida nenhuma da vontade do governador em acertar. Mas para ele acertar, tem que tomar algumas decisões radicais. O governo precisa de gestão, de ações de impacto. Precisa de um secretariado comprometido com a cidade e não com os projetos pessoais.  Já disse isso publicamente para o governador. Nós temos que desengessar  Brasília. Nós temos órgãos como Ibram, Agefis e Segest que têm um vocabulário muito próprio: só sabem dizer não. Eles não têm compromisso com o desenvolvimento da nossa cidade.

Extrapauta – O governador Rollemberg  já está na segunda metade do governo dele. Ainda dá tempo de ele fazer algo  diferente para atender a essa reclamação do setor produtivo,?

Cléber Pires – Nada é impossível, mas ele tem que tomar decisões radicais para recuperar o tempo perdido. Ele perdeu a largada. Há tempo sim. É só fazer um arrastão nos incompetentes que estão hoje alojados dentro da máquina pública. Pensando apenas em seu benefício pessoal e não pensando na cidade.

Extrapauta – O senhor sente boa-vontade no governo em mudar esses aspectos que os empresários reclamam?

Cléber Pires – Eu daria uma oportunidade, principalmente agora com essa reforma da previdência que vai injetar bilhões no GDF. Nós precisamos socorrer o comércio, precisamos que os débitos que o governo tem com os empresários sejam pagos para desenvolver a economia e destravar o Estado.

Extrapauta – Quais setores estão travados?

Cléber Pires – Nós temos hoje grandes empresas indo embora de Brasília, grandes construtoras indo embora de Brasília. Temos projetos de shoppings no Gama e Planaltina parados, com investimentos superiores a 500 milhões de reais, mas, infelizmente, ainda aguardando uma licença para construção.  O governador tem a caneta na mão, mas se ele nada fizer, não irá nem para o segundo turno.

Extrapauta – O governador ganhou recentemente uma Lei, aprovada no Congresso Nacional, que reinsere o GDF na guerra fiscal, podendo disputar com outras unidades da federação a atração de empresas para a cidade. O senhor acha que o governador está preparado para aplicar esta Lei que poderá reativar a economia local?

Cléber Pires – Todo empresário que vem investir no Distrito Federal tem uma grande insegurança jurídica, porque não se consegue alvará de construção, alvará de Bombeiro, nada. Se o governador não desengessar a máquina, de pouco adiantará qualquer Lei.

Extrapauta – Tem outros exemplos?

Cléber Pires – Sim. Nós temos uma informação de que o GDF perdeu 1,5 bilhão de reais do governo federal, para o BRT Norte, por falta de projeto.  E ainda corre o risco, pelo menos motivo, de perder recursos para a expansão do metrô em Samambaia e  Ceilândia.

Extrapauta – Como está a situação da implantação da zona azul, tão defendida pela Associação Comercial, e que seria basicamente a cobrança por vagas de estacionamento nas áreas mais movimentadas do DF?

Cléber Pires – O GDF deixa de arrecadar mais de 1 bilhão por ano por não implantar a zona azul, que é o estacionamento rotativo.

Extrapauta – Como seria esta implantação?

Cléber Pires – Nós defendemos inicialmente um laboratório, que seria na zona central de Brasília, no Setor Comercial Sul. Mas em seguida seria expandido para todas as áreas do Distrito Federal.  Em todas as cidades do DF há áreas com déficit de estacionamento. Hoje já pagamos para os flanelinhas. O governo precisa disciplinar o trânsito, e só vai disciplinar com a cobrança do estacionamento rotativo.

Extrapauta – Por que este projeto não deu certo quando o governador Roriz quis implantá-lo, há mais de 15  anos?

Cléber Pires – Não deu certo, e eu mesmo fui contra,  porque naquele momento o DF tinha 500 mil veículos e não havia essa falta de estacionamento de hoje, quando já estamos chegando a quase 1 milhão e 800 mil veículos.

Extrapauta – O senhor acha que a sociedade agora reagiria melhor que naquela época, quando houve fortes reações ao estacionamento rotativo?

Cléber Pires – Acredito que sim. Temos que ter a sensação de que realmente podemos ir e vir. Já tem shoppings cobrando até 18 reais por uma hora de estacionamento, e as pessoas pagam, mesmo sendo caro. Quando tiver mais oferta, isso vai baixar. E nós não temos dúvida de que este projeto vai gerar muitos empregos.

Extrapauta – Essa falta de estacionamento é indiscutível, mas há também a precariedade dos transportes públicos, que acaba levando a população a usar ainda mais o transporte individual.

Cléber Pires – Nós também apresentamos solução para este problema. Dentro da proposta encaminhada ao GDF, está prevista também a criação de bolsões de estacionamento no parque da cidade, nas estações do metrô e no Mané Garrincha, que seriam servidos de ônibus e micro-ônibus  para fazer a integração desses transportes.

Extrapauta – Está faltando diálogo do GDF com o setor produtivo para essas propostas andem,?

Cléber Pires – De forma alguma. Nós temos conversado constantemente com o governo. O que falta é competência, comprometimento com a cidade. Infelizmente, este governo nos ouve e não nos escuta. Nos escuta e não nos ouve.

Extrapauta – E aí cria-se um impasse?

Cléber Pires – Não tem problema. Nós esperamos trocar o governo para implantar a zona azul. A zona azul não é implantada única e exclusivamente por in competência das pessoas que estão à frente.

Extrapauta –  É falta de competência ou interesses ocultos por trás?

Cléber Pires – Nós não temos outra hipótese. É falta de competência, de comprometimento.

Extrapauta – O servidor público ainda é a grande mola propulsora da economia local?

Cléber Pires – Nós temos um grande percentual de servidor público, mas quem movimenta a economia local é a iniciativa privada. Somos nós o maior gerador de empregos  e de receita que existe no País.

Extrapauta – Como vê o serviço público?

Cléber Pires – Muitos são comprometidos. Mas a maioria não tem compromisso nenhum. Prestam um desserviço para nossa cidade. O servidor público é descompromissado. A maioria deles não se dedica como nós da iniciativa privada. Na iniciativa privada, se você não ter competência, produtividade, você é demitido. E o servidor público, que não pode ser demitido, boa parte deles não tem compromisso com data, com o público que ele serve. Boa parte deles precisa de reciclagem. Precisamos talvez de uma legislação que permita exonerar essas pessoas que não têm comprometimento.

Extrapauta – Mas o senhor acha que a classe política tem coragem de enfrentar essa situação que o senhor coloca?

Cléber Pires – Este é o problema. Temos os corporativistas que defendem, que pensam, única e exclusivamente no voto.  Mas eles não perdem por esperar. Vai ter a hora da mudança.

Extrapauta – O contingente de servidores públicos no País cresceu mais fortemente nos 13 anos de governo do PT. Houve um descompasso entre a realidade e a necessidade?

Cléber Pires – Sem dúvida. Também aqui no GDF, que tem uma folha inchada. Quem não sabe que em todo órgão público local tem gente à toa. Ganhando sem trabalhar? Sem nenhum compromisso, só o compromisso com seu contracheque no final do mês. ´

Extrapauta – Esse seu discurso radicalmente crítico aos servidores públicos é complicado numa cidade como Brasília. Por isso o senhor desistiu da candidatura?

Cléber Pires – São pessoas sem compromisso mesmo. Mas é importante salientar que poderá faltar deles em um determinado  momento. Hoje são poucos trabalhando, para muitos receberem.

Fonte: http://extrapauta.com.br
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